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Crônica Viva, do Cafofo do Dezena - Caminhando
Águas da Prata|cultura|31/07 09:33|181 visualizações
Águas da Prata, SP, 1 de agosto de 2022.
A semana foi de uma correria danada. Primeiro, por ir a Umuarama na terça-feira saindo de madrugada.
A bela cidade no noroeste do Paraná, berço da amizade, está a quase 800 km da capital paulistana. Longe, muito longe para percorrermos de carro, mas assim foi.
A semana produtiva de trabalhos terminou na sexta-feira e os mesmos 800 km nos esperou na faixa contrária. Chegar sexta-feira em São Paulo pela Castelo Branco, quando o ponto final é a Mooca, não é das missões a mais fácil. A cidade entupida de carros nos faz viver menos.
Dentro dele acompanha-se o caos: buzina de cá, buzina de lá, atenção redobrada, motoqueiros que passam pela esquerda, pela direita, soltam estridentes uivos, abanam as mãos em desaprovação, até que um se descontrola, vai ao chão, embaça mais o fluxo de veículos.
Fechamo-nos em oração para que nada de mais grave tenha ocorrido, uma trupe de motoqueiros cerca o companheiro, presta socorro, protesta contra os condutores de automóveis, sacam celulares, se ajudam... como em uma guerra ao amigo ferido.
 
Quando o ônibus surge, pois, até o momento, não sabia onde estavam, empurram coléricos o grande para-choque sobre os demais tentando abrir caminho, seguir o itinerário, pegar mais passageiros, como se tudo lhe pertencesse, que motoqueiros, carros, ciclistas e pedestres não existissem (ou não deveriam) e se arrastam, milímetro a milímetro se desvencilham da balbúrdia. Vencido o obstáculo, ônibus à frente, pela preferência do tamanho e da necessidade de carregar a cidade, outros contratempos aparecem, o cordão se arrasta.
 
Do além, dezenas de vendedores ambulantes brotam. Oferecem água, salgados, limpeza dos vidros, troca dos limpadores. Uma aporrinhação. Os mendigos esfomeados, esquecidos pela sociedade, carregam placas suplicando, em letras mal construídas, o óbolo condescendente.
 
Ao chegar em casa, exausto da maratona, mesmo ouvindo bossa-nova, lembro-me do segundo compromisso: o aniversário de minha querida irmã Regina: mais 220 km pela frente até a bela Águas da Prata. Mas, é diferente, tenham certeza. O pensar na festa, o encontro com os irmãos e amigos, a alegria, brincadeiras e histórias, muitas vezes também regadas por João Gilberto, Jobim e Vinícius, me dão novo alento. O cansaço se vai, um leve sorriso brota e nada como um banho quente para seguir.
 
Fernando Dezena é escritor. Membro da Academia de Letras de São João da Boa Vista, Diretor da UBE &ndash União Brasileira de Escritores e Curador Literário do Espaço Cultural da Boca do Leão.
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01/08 19:26

E a a saúde em Aguas da prata?

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