Do Cafofo do Dezena - Crônica Viva - Tá Virando Bagunça


Prefiro uma coleção desse simpático acessório, sem saber onde nasceram, aos chapéus. Costumo vê-las na cabeça dos italianos também na dos irlandeses. Mas da Irlanda não tenho uma gota de whisky correndo por minhas veias. Diferente da Itália. Da bota, acumulo alguns quilos no culote vindos das pizzas e macarrões.
A massa fresca, com o molho apropriado para a ocasião, acompanhada de um bom vinho, é refeição dos deuses. Não, o ovo não combina com massa. Pera, pera, pera... Olha a conversa saindo da sala e voltando para a cozinha. Não é pecado, eu sei, mas a crônica gastronômica está no gramado do meu amigo de Academia, Lauro. Vai me processar se eu quiser bater bola na seara que ele domina tão bem. Quisera ter forças para brigar com aquele glutão do principado, ele assim se autodenomina. Lauro é um apreciador da boa mesa em todas as horas, eu faço bicos nos finais de semana. Mas é tão bom flutuar entre os assuntos, não é verdade?
Falo de comida, de tempo e futebol. Não seria política, religião e futebol? Lá vem a voz do meu crítico ao pé do ouvido: não fique pulando de assunto em assunto. O correto é escolher um tema e usar a fórmula consagrada: começo, meio e fim. Sabe que fiquei pensando em reformular as minhas crônicas? Ainda não descobri o caminho, mas um item necessário é o tamanho. Geralmente elas têm uma lauda, um pouco mais, um pouco menos. Sinal dos tempos: ninguém aguenta mais ler textos longos. Talvez cortar as construções pela metade, quem sabe um quarto.
Aí teria de seccionar o começo e o fim. Sem o preâmbulo, não vejo problemas. Inicio com o trem andando e deixo para o leitor imaginar o final. Voltando à cozinha, seria como comer o prato principal sem entrada nem sobremesa. Quer saber? Pode ficar sem graça, mas não engorda tanto.
 
 
Fernando Dezena
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