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Do Cafofo do Dezena - Crônica Viva - Sabores
São João da Boa Vista|cultura|16/08 09:54|94 visualizações
Agosto levou embora o cheiro da pólvora e o gosto doce das festas juninas e julinas. No Nordeste, sei bem, elas se arrastam para além dos meses. Na minha querida Águas da Prata também.


Na fazenda Santa Maria, encrustada no sopé das Serras Vulcânicas, além do café, nasceu uma fogueira alta, no centro do terreiro, para espantar o frio teimoso. Ao redor, food trucks coloridos, mesas e cadeiras alinhadas, música girando para que o vento não levasse a descontração. Um quentão, dois, três e as orelhas avermelhavam, como se o corpo tivesse aprendido a se aquecer sozinho.


A lembrança puxa outra, e mais outra, até chegar às noites no ginásio da cidade. As barracas dos formandos, a batata-doce assando, o cheiro quente da canjica, a pipoca que estourava na panela. E os correios elegantes dobradinhos, tímidos chegando às mãos de quem ria, desviava o olhar ou corava. No dia seguinte, alguns ainda surgiam esquecidos no bolso da camisa. O que, na noite anterior, parecia urgente, no amanhecer virava papel amassado no lixo. O caminhar era assim: trocando de roupa e de enredo, mas sempre em frente.


Depois, outros lugares, outros sabores. A Baixada Santista me ensinou a alegria salgada do Atlântico. Mas a vida, como sempre, guardava mais.


Há quinze anos, me embrenhei em São Paulo. Um espaço de crônica é pouco para tudo o que ela me mostrou. Em cada esquina, uma surpresa: um bar escondido, um restaurante típico, um detalhe no Bixiga que só se revela a quem caminha devagar.


Trabalho, ganho a vida e sigo me surpreendendo. Eita mundo véio sem porteira! De repente, explodiu por toda parte a moda do morango do amor. Está nos jornais, nas revistas, na televisão. Caiu na boca do povo. Li na Folha que as docerias nunca venderam tanto.


Lá no ginásio, lembram?, reinava a maçã: vermelhinha, mergulhada em calda cristalizada. Agora, mudaram, e o mundo não para. Certamente, deve haver alguém testando outra fruta para o ano que vem.


Entre sustos e doçuras, seguimos. O paladar muda, mas o gosto de viver ainda é o mesmo: mistura de novidade e lembrança, sempre pronto para virar a próxima história.
 
 
Fernando Dezena

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