Recuo nas tarifas dos EUA reacende expectativa no agro da região

Decisão favorece o café e outras commodities da região, mas recuperação do emprego será lenta
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar a sobretaxa de 40% sobre as importações brasileiras foi recebida com otimismo pelos produtores e pela indústria exportadora da região de São João da Boa Vista. O movimento ocorre em um momento de forte tensão no mercado de trabalho local, que registrou em outubro o pior desempenho da série histórica do Novo Caged para o mês desde 2020.
O movimento de Trump revela um cálculo político diante da inflação americana e da importância do agronegócio brasileiro para estabilizar preços de alimentos, madeira e café nos Estados Unidos. Para a região, que tem forte dependência das exportações agropecuárias, o efeito tende a ser imediato na melhora de preços e no ritmo de embarques, especialmente de café.
Para o vice-diretor regional do Ciesp, Adriano Alvarez, o recuo anunciado por Trump decorre de pressões internas nos EUA.
Segundo ele, o aumento do custo de vida, especialmente no preço de alimentos e commodities, colocou o presidente americano sob risco político. "Os Estados Unidos enfrentam inflação elevada em carne, café, madeira e vários produtos que o Brasil exporta. Trump sabe que isso afeta a popularidade dele, e com eleições pela frente, não podia sustentar uma medida que encarecesse ainda mais esses itens", ressalta.
Na primeira semana de novembro, o Tufão Kalmaegi atingiu o território do Vietnã, considerado o maior produtor mundial de café robusta, o que também contribuiu para que a região se tornasse mais procurada por outros países.
Alvarez explica que o Brasil ocupa uma posição estratégica no fornecimento de produtos agrícolas aos EUA, tanto pela distância relativamente curta quanto pela estabilidade produtiva em comparação a concorrentes asiáticos. "Não existe um país que substitua o Brasil com a mesma escala e logística. E nossos competidores, como Indonésia, no café, estão sofrendo com eventos climáticos severos. Esse cenário pesa na inflação americana", explica.
Segundo o Ciesp, na região de São João da Boa Vista, produtos agrícolas respondem entre 60% e 70% de todo o faturamento das exportações, sendo o café a principal bandeira. "Com a retirada da tarifa, esperamos um aumento nos preços pagos ao produtor e uma aceleração dos embarques. É um movimento visto com muito otimismo", destaca.
Se de um lado, a retirada da tarifa animou produtores locais, de outro, o emprego segue pressionado pela crise no agro. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Ministério do Trabalho, a região fechou 3.050 vagas formais em outubro. O balanço do Novo Caged inclui sete municípios: Aguaí, Casa Branca, Espírito Santo do Pinhal, Mococa, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo e Vargem Grande do Sul. Foram 4.950 admissões e 8.000 desligamentos.
O agronegócio respondeu por -2.955 postos, o pior desempenho entre todos os setores, seguido da indústria, com -190 vagas. O setor de Serviços foi o único que teve saldo positivo com a abertura de 214 empregos. Dentre os municípios, São José do Rio Pardo (-1.366) e Vargem Grande do Sul (-1.235) concentraram os maiores saldos negativos. São João da Boa Vista fechou 332 postos de trabalho. Apesar de sazonalmente negativo em outubro, o resultado deste ano foi o mais fraco desde o início da série, em 2020.
Para Alvarez, o cenário do emprego no campo deve permanecer pressionado nos próximos meses. Ele explica que a mecanização, acelerada nos últimos cinco anos, reduziu de forma permanente a necessidade de mão de obra, enquanto as condições de crédito seguem desfavoráveis, com juros altos e maior restrição dos bancos. Mesmo com a leve queda no preço do diesel na região, os custos operacionais continuam elevados. Esses fatores, afirma, podem retardar a retomada das contratações, deixando o setor agrícola diante de mais um ano desafiador.
Ainda assim, a avaliação é que a retirada das tarifas americanas tende a melhorar o humor do mercado exportador e fortalecer a renda agrícola da região, efeito que, no médio prazo, pode aliviar parte da pressão sobre o mercado de trabalho.
compartinharenviar informaçõesenviar foto comentarA decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar a sobretaxa de 40% sobre as importações brasileiras foi recebida com otimismo pelos produtores e pela indústria exportadora da região de São João da Boa Vista. O movimento ocorre em um momento de forte tensão no mercado de trabalho local, que registrou em outubro o pior desempenho da série histórica do Novo Caged para o mês desde 2020.
O movimento de Trump revela um cálculo político diante da inflação americana e da importância do agronegócio brasileiro para estabilizar preços de alimentos, madeira e café nos Estados Unidos. Para a região, que tem forte dependência das exportações agropecuárias, o efeito tende a ser imediato na melhora de preços e no ritmo de embarques, especialmente de café.
Para o vice-diretor regional do Ciesp, Adriano Alvarez, o recuo anunciado por Trump decorre de pressões internas nos EUA.
Segundo ele, o aumento do custo de vida, especialmente no preço de alimentos e commodities, colocou o presidente americano sob risco político. "Os Estados Unidos enfrentam inflação elevada em carne, café, madeira e vários produtos que o Brasil exporta. Trump sabe que isso afeta a popularidade dele, e com eleições pela frente, não podia sustentar uma medida que encarecesse ainda mais esses itens", ressalta.
Na primeira semana de novembro, o Tufão Kalmaegi atingiu o território do Vietnã, considerado o maior produtor mundial de café robusta, o que também contribuiu para que a região se tornasse mais procurada por outros países.
Alvarez explica que o Brasil ocupa uma posição estratégica no fornecimento de produtos agrícolas aos EUA, tanto pela distância relativamente curta quanto pela estabilidade produtiva em comparação a concorrentes asiáticos. "Não existe um país que substitua o Brasil com a mesma escala e logística. E nossos competidores, como Indonésia, no café, estão sofrendo com eventos climáticos severos. Esse cenário pesa na inflação americana", explica.
Segundo o Ciesp, na região de São João da Boa Vista, produtos agrícolas respondem entre 60% e 70% de todo o faturamento das exportações, sendo o café a principal bandeira. "Com a retirada da tarifa, esperamos um aumento nos preços pagos ao produtor e uma aceleração dos embarques. É um movimento visto com muito otimismo", destaca.
Se de um lado, a retirada da tarifa animou produtores locais, de outro, o emprego segue pressionado pela crise no agro. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Ministério do Trabalho, a região fechou 3.050 vagas formais em outubro. O balanço do Novo Caged inclui sete municípios: Aguaí, Casa Branca, Espírito Santo do Pinhal, Mococa, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo e Vargem Grande do Sul. Foram 4.950 admissões e 8.000 desligamentos.
O agronegócio respondeu por -2.955 postos, o pior desempenho entre todos os setores, seguido da indústria, com -190 vagas. O setor de Serviços foi o único que teve saldo positivo com a abertura de 214 empregos. Dentre os municípios, São José do Rio Pardo (-1.366) e Vargem Grande do Sul (-1.235) concentraram os maiores saldos negativos. São João da Boa Vista fechou 332 postos de trabalho. Apesar de sazonalmente negativo em outubro, o resultado deste ano foi o mais fraco desde o início da série, em 2020.
Para Alvarez, o cenário do emprego no campo deve permanecer pressionado nos próximos meses. Ele explica que a mecanização, acelerada nos últimos cinco anos, reduziu de forma permanente a necessidade de mão de obra, enquanto as condições de crédito seguem desfavoráveis, com juros altos e maior restrição dos bancos. Mesmo com a leve queda no preço do diesel na região, os custos operacionais continuam elevados. Esses fatores, afirma, podem retardar a retomada das contratações, deixando o setor agrícola diante de mais um ano desafiador.
Ainda assim, a avaliação é que a retirada das tarifas americanas tende a melhorar o humor do mercado exportador e fortalecer a renda agrícola da região, efeito que, no médio prazo, pode aliviar parte da pressão sobre o mercado de trabalho.
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