anunciar tabela de preços enviar notícia
rede social :: login
Do Cafofo do Dezena - Crônica Viva - Do Rio a São Paulo
São João da Boa Vista|cultura|29/11 10:23|44 visualizações
Pronto: dezembro chegou. O ano de 2025 se despede pela janela como quem recolhe as últimas luzes da tarde, e 2026 já acena com nova eleição para Presidente da República. Impressionante como o tempo passa e, ainda mais, como insiste em nos cobrar balanços. Agora é mês das retrospectivas às vezes, até de acertos de contas silenciosos.


Penso, então, no triênio. De lá para cá, o que fiz de importante na vida pessoal, profissional e, sobretudo, na literatura? Embora eu a trate com seriedade, sigo sendo um amador, mas um amador teimoso, disciplinado, desses que acordam antes do sol para puxar uma história pela mão.


Neste momento, eu, Sibila e Marina Marino estamos voltando para São Paulo, após a Feira Literária de Petrópolis. Os eventos do Afonso Borges são sempre bem engendrados, mas o ponto alto não foi o lançamento dos meus livros: Antes do sol nascer, de crônicas, e De repente o risco, de poesia. Nem poderia, não é verdade? O ápice foi a entrega do Juca Pato para a Sueli Carneiro. Há algo justo e necessário em ver a UBE, finalmente, premiar mulheres brancas e negras numa láurea que, por décadas, parecia reservada aos homens brancos que sempre a habitaram.


Dezembro, contudo, ainda promete grandes desafios. É bom encerrar o ano a todo vapor, para não começar o próximo arrastando vagões. E mora no meu Cafofo, quase pronto, um romance que me acompanha há um bom tempo. A protagonista, uma ativista da Zona Leste de São Paulo que sonha em prosperar economicamente sem virar as costas aos desvalidos, me acordou tantas madrugadas que, a esta altura, já é íntima da casa. Vamos ver se alguma editora lhe abre portas.


E, para fechar o ciclo de 2025, tirarei os dez últimos dias para mim. Vou me refugiar em Águas da Prata, terra natal, onde as tardes respiram devagar e a vida se veste de silêncio. Natal e Ano Novo em família, caminhadas pelas serras que circundam a cidade, o clima saudável da estância e suas fontes minerais brotando como pequenas bênçãos subterrâneas.


Ah! Quase me esqueci. No último triênio tornei-me pintor. Sim, senhores: pintor. E militante. Há tantos quadros que já me faltam candidatos para recebê-los. Penso, às vezes, em virar vendedor ambulante da prefeitura, só para dar destino às telas que se acumulam pelo chão da sala. O início sempre é difícil.


Mas há algo que me intriga. Sempre que alguém observa uma pintura, diz:


Está, a cada dia, melhor.


Interpreto o avesso. Se agora está melhor, é porque as primeiras eram um desastre. Talvez tenha sido mesmo. Mas, se o tempo aperfeiçoa o traço, que dezembro venha mais um ciclo, mais uma chance de aprender, errar, insistir. Afinal, é assim que seguimos: a cada dia um pouco melhores, mesmo que o passado nos espie com um sorriso de canto de boca.
 
Fernando Dezena

compartinharenviar informaçõesenviar foto comentar

Comentar usando as Redes Sociais

Comentar esta notícia

comentário

(500 caracteres)

nome completo
cidade























Veja também
Últimas NotíciasRecadosClassificados ParabrisaAnuncie AgoraVenda de Garagem