Antônio Cabrelon: o homem que pintou destinos

No começo dos anos 1990, quando São João ainda tinha tardes mais lentas, crepúsculos mais lindos, serras mais verdes e sombras mais acolhedoras, Antônio Ângelo Betinardi Cabrelon decidiu reinventar a própria vida. Aposentado do Banco do Brasil, ergueu um prédio comercial naquela esquina que costura a Avenida Tereziano Valim à Praça da Bandeira. No pavimento superior instalou dois consultórios para as filhas odontólogas, Adriana e Sílvia no térreo, deixou um belo espaço à espera de um inquilino que nunca apareceu.
O destino, caprichoso, às vezes muda trajetórias por um simples pedaço de papel. E foi num recorte pequeno da Folha de S. Paulo, um chamado da Suvinil recrutando parceiros pelo interior paulista, que a história ganhou cor. Seu Antônio, com a firmeza serena de quem sabe medir riscos, zerou as economias, contou com o apoio incondicional da mulher Amélia e foi empreender. Assim nasceu a Cores e Cia.
Em 1994, a loja abriu as portas com a simplicidade das coisas destinadas a durar: um funcionário apenas, um balcão modesto e dois jovens que aprendiam o ofício pelo cheiro da tinta fresca, Luiz, com 18 anos, e Sílvia, sua cúmplice na lida diária. O número 348 da Tereziano Valim tornou-se endereço e símbolo, farol para guiá-los em um mercado competitivo e cheio de provações.
Os primeiros anos foram de desafios intensos e concorrência pesada. Mas havia uma teimosia bonita naquela família. Luiz cresceu trabalhando Sílvia se manteve firme desde o primeiro dia. E, vinte e cinco anos atrás, Oscar Castellan, marido dela, entrou na crônica para ficar, hoje à frente da loja 2, no bairro do DER, conduzindo o dia a dia com o estofo de quem faz do comércio uma extensão do lar.
Com o tempo, novas presenças fortaleceram o alicerce. Patrícia, que se tornaria esposa de Luiz, tem a sensibilidade atenta de quem apoia, aconselha e incentiva. Zé Eduardo, marido de Adriana, completou o quadro familiar, somando forças para que o negócio mantivesse sua essência.
A passagem do comando de seu Antônio para Luiz não teve anúncio formal. Aconteceu como tem que acontecer, devagar, naturalmente, num compasso de confiança mútua. O fundador deixou como herança três pilares, honestidade, seriedade e atrevimento, e uma crença inabalável: comércio bom não pode envelhecer. Precisa acompanhar tecnologia, novidades e método. Essa visão segue intacta.
E, como todo negócio que atravessa décadas, a Cores e Cia coleciona episódios saborosos. Numa entrega na zona rural, Sílvia guiava um Passat 1976 abarrotado de latas rumo à fazenda de Dona Marli, famosa pelo queijo primoroso. Num trecho de terra molhada, o carro atolou. Luiz desceu para empurrar e afundou até quase desaparecer na lama, cena que arrancou risadas, mas que traduz um espírito: mergulhar no barro, se preciso for, para atender um cliente. A entrega rendeu um freguês satisfeito, uma bagagem bem-humorada e um queijo delicioso.
Hoje, o grupo que emprega dezenas de colaboradores é orgulho regional e nome consolidado no mercado. São cinco unidades, duas em São João, uma em Pirassununga em parceria com Pavão Tintas, outra em Espírito Santo do Pinhal e a mais nova em São Carlos, inaugurada em 29 de novembro. Uma expansão sólida, guiada pelos mesmos compromissos desde o primeiro dia, atendimento diferenciado, preço justo, assistência técnica competente, relações genuínas e investimento contínuo em qualidade e inovação.
Porque a Cores e Cia nunca foi apenas uma loja de tintas. Ela pintou paredes, mas também lares, negócios e lembranças.
E tudo por causa de um homem que recusou a calmaria da aposentadoria. Preferiu apostar em veredas desconhecidas, criar algo seu, deixar uma marca e um modo de servir que hoje sustenta filhos, genros, tradição e futuro.
No fim das contas, o legado de seu Antônio Cabrelon não está apenas nas prateleiras organizadas e bem abastecidas. Está também naquele gesto inaugural, o de acreditar que a oportunidade sinalizada num pequeno recorte de jornal poderia pavimentar destinos. E pavimentou. A trilha de obstáculos foi, com o suor da dignidade, transformada numa estrada de conquistas, colorida, próspera e representativa da epopeia de um admirável clã sanjoanense.
Lauro Augusto Bittencourt Borges é bancário e membro da Academia de Letras de São João da Boa Vista - Instagram: @lauroborges
compartinharenviar informaçõesenviar foto comentarO destino, caprichoso, às vezes muda trajetórias por um simples pedaço de papel. E foi num recorte pequeno da Folha de S. Paulo, um chamado da Suvinil recrutando parceiros pelo interior paulista, que a história ganhou cor. Seu Antônio, com a firmeza serena de quem sabe medir riscos, zerou as economias, contou com o apoio incondicional da mulher Amélia e foi empreender. Assim nasceu a Cores e Cia.
Em 1994, a loja abriu as portas com a simplicidade das coisas destinadas a durar: um funcionário apenas, um balcão modesto e dois jovens que aprendiam o ofício pelo cheiro da tinta fresca, Luiz, com 18 anos, e Sílvia, sua cúmplice na lida diária. O número 348 da Tereziano Valim tornou-se endereço e símbolo, farol para guiá-los em um mercado competitivo e cheio de provações.
Os primeiros anos foram de desafios intensos e concorrência pesada. Mas havia uma teimosia bonita naquela família. Luiz cresceu trabalhando Sílvia se manteve firme desde o primeiro dia. E, vinte e cinco anos atrás, Oscar Castellan, marido dela, entrou na crônica para ficar, hoje à frente da loja 2, no bairro do DER, conduzindo o dia a dia com o estofo de quem faz do comércio uma extensão do lar.
Com o tempo, novas presenças fortaleceram o alicerce. Patrícia, que se tornaria esposa de Luiz, tem a sensibilidade atenta de quem apoia, aconselha e incentiva. Zé Eduardo, marido de Adriana, completou o quadro familiar, somando forças para que o negócio mantivesse sua essência.
A passagem do comando de seu Antônio para Luiz não teve anúncio formal. Aconteceu como tem que acontecer, devagar, naturalmente, num compasso de confiança mútua. O fundador deixou como herança três pilares, honestidade, seriedade e atrevimento, e uma crença inabalável: comércio bom não pode envelhecer. Precisa acompanhar tecnologia, novidades e método. Essa visão segue intacta.
E, como todo negócio que atravessa décadas, a Cores e Cia coleciona episódios saborosos. Numa entrega na zona rural, Sílvia guiava um Passat 1976 abarrotado de latas rumo à fazenda de Dona Marli, famosa pelo queijo primoroso. Num trecho de terra molhada, o carro atolou. Luiz desceu para empurrar e afundou até quase desaparecer na lama, cena que arrancou risadas, mas que traduz um espírito: mergulhar no barro, se preciso for, para atender um cliente. A entrega rendeu um freguês satisfeito, uma bagagem bem-humorada e um queijo delicioso.
Hoje, o grupo que emprega dezenas de colaboradores é orgulho regional e nome consolidado no mercado. São cinco unidades, duas em São João, uma em Pirassununga em parceria com Pavão Tintas, outra em Espírito Santo do Pinhal e a mais nova em São Carlos, inaugurada em 29 de novembro. Uma expansão sólida, guiada pelos mesmos compromissos desde o primeiro dia, atendimento diferenciado, preço justo, assistência técnica competente, relações genuínas e investimento contínuo em qualidade e inovação.
Porque a Cores e Cia nunca foi apenas uma loja de tintas. Ela pintou paredes, mas também lares, negócios e lembranças.
E tudo por causa de um homem que recusou a calmaria da aposentadoria. Preferiu apostar em veredas desconhecidas, criar algo seu, deixar uma marca e um modo de servir que hoje sustenta filhos, genros, tradição e futuro.
No fim das contas, o legado de seu Antônio Cabrelon não está apenas nas prateleiras organizadas e bem abastecidas. Está também naquele gesto inaugural, o de acreditar que a oportunidade sinalizada num pequeno recorte de jornal poderia pavimentar destinos. E pavimentou. A trilha de obstáculos foi, com o suor da dignidade, transformada numa estrada de conquistas, colorida, próspera e representativa da epopeia de um admirável clã sanjoanense.
Lauro Augusto Bittencourt Borges é bancário e membro da Academia de Letras de São João da Boa Vista - Instagram: @lauroborges
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